segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

EPISÓDIO 05- A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM


I L H A
RÁ-TIM-BUM
Episódio 5: “A volta dos que não foram”
05IRTB52V2FS
@FLAVIO DE SOUZA
PERSONAGENS
Gigante Nhã-nhã-nhã
Rouxinol Polca e Zabumba
Majestade Suzana
Raio Solek
Micróbio Coiso, Coisa e Coisinho
Nefasto Arielibã-Disfarce
Hipácia
Vrunja
Rá, Tim e Bum
TEMAS
Animais em extinção
Bichos // Sobrevivência

BLOCO 1
CENA 1 – MAQUETE – NOITE – GERAL ILHA
Surge letreiro: “A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM”
LOCUTOR
(OFF) Episódio de hoje... a volta dos que não foram.
A câmera se aproxima do local da árvore de Solek.
_________________________________________________________
CENA 2 - EST. C / NOITE – AMANHECER
ÁRVORE SOLEK
Close de Gigante, dormindo. Rá, Tim e Bum entram em primeiro plano.
TIM
Ih, tudo de novo igual outra vez, tá? De novo tudo começa com o Gigante adormecido, tá?
BUM
Mas assim é tudo. O fim da noite é o começo do dia, né?

Só que a água do rio já passou. É outra e outra e outra, viu?
Gigante é acordado gentilmente por Solek.
GIGANTE
Aí, ó! Dá licença, cara! Nem clareou, me deixa dormir!
Solek insiste e o coloca em pé, canta algo desafinado mas bonito, ao mesmo tempo que faz reverência em direção ao horizonte. Solek vai aumentando a intensidade da dança e do canto, até que o sol aparece. Ele faz reverência e obriga Gigante a fazer também.

GIGANTE
Aí, ó! Você não precisa dançar e cantar pro Sol aparecer no céu! Isso ia acontecer de qualquer jeito, não ia? Opa, se ia!
Solek olha para o alto, e faz carinho na cabeça de Gigante, com pena.
SOLEK
Coitajinho!
_________________________________________________________
CENA 3 - VERA CRUZ / AMANHECER - CHROMA
MAQUETE ILHA
Panorâmica, final do amanhecer.
_________________________________________________________
CENA 4 – EXT – DIA - PRAIA
Majestade, Rouxinol, Raio e Micróbio reunidos na praia, comendo frutas.
ROUXINOL
(fungando) Eu ainda não acredito que o Gigante foi embora deixando a gente pra trás!
MICRÓBIO
Levando a lancha do nosso tio.
RAIO
O que a gente pode fazer? Ficar? Tentar ir embora? Construir um barco? Um submarino? Uma espaçonave?
MAJESTADE
Tá, tá, tá, Raio! (PARA TODOS) E aí? A gente vai ficar aqui pra sempre? Era o que a gente queria, né?
Todos se olham, ninguém sabe o que dizer.
MICRÓBIO
Como disse...
MAJESTADE
...Maíra Rocha, dois pontos: ninguém quer ficar aqui pra sempre. Mas já, não dá para ir para lugar nenhum. Então, antes da gente descobrir como a gente vai embora daqui, a gente precisa... sobreviver. Ponto!
RAIO
(APROVANDO) Tudo de bom pra você!
ROUXINOL
(PUXANDO SALVA DE PALMAS) É isso mesmo!
Corte. Gravar o que entrará no monitor de Nefasto na cena 7:
MAJESTADE
Primeira providência. Vamos colher verduras e legumes para o almoço.
MICRÓBIO
A gente pode fazer uma saladona de frutas pra sobremesa?
RAIO
Tártaro!
MAJESTADE
Vamos então?
TODOS
Vamos!
Rouxinol, Micróbio e Raio seguem Majestade.
_________________________________________________________
CENA 5 – EST / DIA - TORRE
Nefasto, Zabumba e Polca “tomam banho” de imagens de violência social, bem próximos aos monitores.
_________________________________________________________
CENA 6 – EST / DIA – ÁRVORE DE SOLEK
Solek e Gigante continuam cantando e dançando. Gigante está exausto.
GIGANTE
Por que a gente tem que continuar dançando? O Sol taí!
SOLEK
Tem qui agradecê! Sinau o Shol num vem dipois da Lua!
Eles dançam e cantam, Solek decide:
SOLEK
Alaiii! (PARA GIGANTE) Ponto! Podi discansá.
Gigante sorri amarelo, se ajeita com a camiseta de travesseiro e adormece.
_________________________________________________________
CENA 7 - EST / DIA - TORRE
Nefasto aciona alavanca, cessando as cenas de tevê. Ele suspira, sorrindo, como se estivesse revigorado.
NEFASTO
Esplêndido! Já podemos começar um novo dia!
Ele aciona outra alavanca. Os vilões assistem num monitor os jovens na praia.
No monitor:
MAJESTADE
Primeira providência. Vamos colher verduras e legumes para o almoço.
MICRÓBIO
A gente pode fazer uma saladona de frutas pra sobremesa?
RAIO
Tártaro!
MAJESTADE
Vamos então?
TODOS
Vamos!
Rouxinol, Micróbio e Raio seguem Majestade.
NEFASTO
Vejam só, caros correligionários! Temos um novo líder. Isso está se tornando cada vez mais interessante!
_________________________________________________________
CENA 8 – EST / DIA – MATA FLORES E FRUTOS
Os jovens colhem frutas, cantando. Coreografia. Um deles colhe, joga a fruta para um, que joga para outro, que joga para outro, que coloca numa sacola. E assim por diante.
_________________________________________________________
CENA 9 – EST / DIA - FOGUEIRA
Passagem de tempo, mas a música continua sendo cantada. Micróbio pica frutas e vai pondo numa cabaça. Rouxinol e Majestade picam legumes no recipiente que eles usam como panela. Raio prepara fogo.
_________________________________________________________
CENA 10 - EST / DIA - FOGUEIRA
Passagem de tempo. Música só instrumental. Rouxinol mexe a sopa na “panela”. Os outros 3 se esforçam para fazer buracos em coco verde.
Hipácia sai de seu tronco “farejando” a sopa, aprecia o cheiro.
_________________________________________________________
CENA 11 – EST / DIA – MATO CURINGA
Coisos, que estão catando coisas para comer, começam a farejar. Sentem cheiro da sopa.
COISOS
(DELICIADOS) Huuuuummm!...
_________________________________________________________

CENA 12 - EST / DIA – ÁRVORE DE SOLEK
Gigante dorme. Solek fareja o cheiro de sopa, lambe os beiços.
SOLEK
Cheru bom! Mashííío!...
Solek chega perto de Gigante, espia, dá sacudida. Sorri, se afasta, farejando.
_________________________________________________________
CENA 13 - EST / DIA – TERRAÇO DA TORRE
Zabumba e Polca farejam, farejam, fazem caretas.
ZABUMBA
Blergh! Que fedor! Isso é obra dos forasteiros!
POLCA
Que cheiro forte e enjoado! Que nojentos!
OS DOIS
Blergh!
Nefasto surge atrás deles, fareja, fica intrigado.
NEFASTO
Bronco Bruto e Bela Horrenda, ajudem-me a vestir o disfarce, que o senhor Arielibã precisa investigar a origem deste odor de perto.
_________________________________________________________
CENA 14 - EST / DIA - FOGUEIRA
Majestade, Raio e Micróbio e Hipácia almoçam.
Coisos espiam, escondidos num canto.
Solek espia, escondido em outro canto.

HIPÁCIA
(DEPOIS DE TOMAR GOLE DA SOPA) Manjar olímpico!
MAJESTADE
Que exagero, dona Hipácia. É só uma sopa de legumes.
HIPÁCIA
Só? Uma sopa? De legumes?
MAJESTADE
Tudo bem.
RAIO
(PARA MICRÓBIO) Vambora reportagear?
MICRÓBIO
Vambora. (PARA MAJESTADE) Tudo bem?
MAJESTADE
Tudo. E a sua irmã?
MICRÓBIO
Se escondeu com o meu toca-fitas.
MAJESTADE
Tudo bem.
_________________________________________________________
CENA 15 - EST / DIA – MATA CURINGA
Rouxinol, com Suzana ao seu lado, “conversa” com sua mãe (voz gravada).
SUZANA
Não sei se eu devia perguntar, mas dessa caixinha aí vai sair o que mesmo?

ROUXINOL
A voz da minha mãe. O Miltinho gravou. E eu estou com MU-ita saudade.
Ela aperta tecla PLAY.
MÃE
(VOZ GRAVADA) Milton Pereira da Silva! Você já escovou seus dentes?
ROUXINOL
Você ia ficar tão orgulhosa de mim, mãe!
MÃE
(VOZ GRAVADA) E os óculos? Estão limpos?
ROUXINOL
Eu fiz o almoço! Eu e a minha amiga Maíra!
MÃE
(VOZ GRAVADA) Você comeu verduras?
ROUXINOL
Então! Foi uma sopa de verduras que a gente fez!
MÃE
(VOZ GRAVADA) Ou só se entupiu de porcarias?
ROUXINOL
Não, eu só tenho mais alguns bombons, e estou guardando para um momento de desespero.
MÃE
(VOZ GRAVADA) Boa noite, Miltinho.
ROUXINOL
Tchau, mãe. Até algum dia...
Rouxinol desliga toca-fitas e solta um longo suspiro.
SUZANA
Coitadiiiiiiiiiiinha!
_________________________________________________________
CENA 16 - EST / DIA - TEIA
Micróbio grava, com sua câmera, Raio, que se preparava para entrevistar Nhã-nhã-nhã.
RAIO
(PARA MICRÓBIO) Tudo certo?
MICRÓBIO
Tudo.
Ponto de vista da câmera, Raio com microfone improvisado, conversa com Nhã-nhã-nhã.
RAIO
Eu sou Ramiro Serrano, falando diretamente da ilha Rá-Tim-Bum. Continuando nossa reportagem exclusiva sobre este lugar, vamos conversar com uma moradora, a senhorita Nhã-nhã-nhã.
NHÃ-NHÃ-NHÃ
Senhora! Nhã-nhã-nhã era casada na África.
RAIO
A senhora era casada com uma aranha-macho chamado Anansi, certo ou errado?
NHÃ-NHÃ-NHÃ
Certo. E nesse tempo Nhã-nhã-nhã se chamava Aso.
RAIO
E por que a senhora mudou de nome?
NHÃ-NHÃ-NHÃ
(MAU HUMORADA) Porque sim.

RAIO
(PREOCUPADO) Ah... muito bem!
_________________________________________________________
CENA 17 - EST / DIA – ÁRVORE DE SOLEK
Gigante acorda, boceja, se espreguiça. Fica em pé.
GIGANTE
Oi, amigão! Cadê você?
_________________________________________________________
CENA 18 - EST / DIA - FOGUEIRA
Rouxinol chega perto da fogueira, ela e Majestade pegam os “utensílios”.
ROUXINOL
O que a gente vai fazer com isso?
MAJESTADE
Lavar, para usar de novo.
ROUXINOL
É claro!
Elas se vão na direção do riacho. Hipácia as segue.
Tempo. Os Coisos saem do esconderijo, mas voltam correndo, porque Solek saiu também de seu esconderijo. O lagarto vai até a fogueira, onde ficou a “panela” com sopa. Ele pega um pouco, usando uma casca de coco ou algo desse tipo, experimenta, fica deliciado.
SOLEK
Shopa mashíííó!
Ele pega mais um pouco e se vai.
Os Coisos saem correndo de seu esconderijo, cada um com uma “cuia”(que podem ser coisas que saíram do container), Coiso pega sopa para os três, eles se olham e tomam ao mesmo tempo.
COISOS
(DELICIADOS) Huuuummm!
Coiso pega mais para os três, mas eles farejam e saem correndo.
Arielibã-Disfarce se aproxima da fogueira. Pega sopa com alguma cuia, experimenta.
NEFASTO
Interessante.
_________________________________________________________
CENA 19 - EST / DIA - TEIA
Ponto de vista da câmera, Raio continua entrevistando Nhã-nhã-nhã, que está de mau humor.
RAIO
Bem, acho que podemos terminar a entrevista, certo?
NHÃ-NHÃ-NHÃ
Errado! Nhã-nhã-nhã não contou nenhuma história!
RAIO
Nós gostaríamos muito de ouvir muitas das suas histórias, mas vai ficar para uma outra vez, certo?
NHÃ-NHÃ-NHÃ
Errado mais uma vez! Você por acaso está querendo insinuar que Nhã-nhã-nhã fala demais?
RAIO
Nada disso, né, Micróbio? A gente está quase louco de vontade de ouvir muitas das suas histórias! Né, Micróbio?
Cena normal. Micróbio pára de gravar, ele e Raio nervosos.
MICRÓBIO
É sim, Raio.

NHÃ-NHÃ-NHÃ
Mas Nhã-nhã-nhã não vai contar história nenhuma! Que os filhotes de gente não vão ouvir nada, que a Nhã-nhã-nhã virou fera! Fera furiosa!
Nhã-nhã-nhã avança, Raio e Micróbio tremem, apavorados.
_________________________________________________________
CENA 20 – EST / DIA - RIACHO
Rouxinol e Majestade lavam os “utensílios” no riacho.
ROUXINOL
Era bom demais pra ser verdade, né? Ele era alto, forte, atlético, decidido, sensível, heróico, autocrítico, tenor...
MAJESTADE
...e ainda por cima, desertor!
ROUXINOL
(SEGURANDO CHORO) É isso mesmo...
HIPÁCIA
Prometeu está entre nós!
ROUXINOL
A senhora quer dizer o Gigante?
MAJESTADE
É ele mesmo, ela chama o Gigante de Prometeu.
Hipácia chega até elas, pega uma cuia grande, cheia de água. Pega um pózinho que tira de um saquinho, joga na água, EFEITO = a água borbulha, brilha.
Hipácia olha para a água como se visse algo a mais.
HIPÁCIA
Não longe. Perto, perto, perto...

ROUXINOL
Onde? Na ilha? Ele está aqui?
HIPÁCIA
PERIGO!
Hipácia grita, Rouxinol grita em seguida.
_________________________________________________________
CENA 21 - EST / DIA - TEIA
Nhã-nhã-nhã vai morder Raio, mas ele se sacode, se desgruda da teia e pula
para o lado.
NHÃ-NHÃ-NHÃ
Escapou? Por pouco tempo! Nhã-nhã-nhã pode começar pelo menorzinho!
Nhã-nhã-nhã vai atacar Micróbio, Raio o puxa. Micróbio fica pendurado, agarrado no braço de Raio.
RAIO
Dá pra pular, Micro?
MICRÓBIO
Está muito alto! Não me larga!
Raio tenta se soltar, mas quando os dois vão começar a descer da teia, Nhã-nhã-nhã solta fios, prendendo ao dois. Eles pegam ar e gritam:
RAIO E MICRÓBIO
(GRITANDO) Soco...
Eles não completam o grito, porque a aranha-mulher solta outro fio que os amordaça.
NHÃ-NHÃ-NHÃ
Os dois filhotes de gente não vão gritar. NUNCA MAIS!
_________________________________________________________

CENA 22 - EST / DIA – ÁRVORE DE SOLEK
Gigante procura Solek.
GIGANTE
Oi, amigão! Aí, ó. Estou indo nessa, falou? Valeu.
Ele dá de ombros, olha em volta, decide que caminho tomar. Solek vem por trás dele, segurando pequeno galho. Gigante dá dois passos, Solek dá pancada na cabeça dele, Gigante cai desmaiado. Solek grunhe, ameaçando dar outra pancada.
_________________________________________________________
BREAK

BLOCO 2
CENA 23 - EST / DIA – ÁRVORE DE SOLEK
Gigante acorda, com um segundo curativo na cabeça. Percebe que está sentado, com os braços amarrados em uma árvore (não a kaiii).
Solek, acocorado, olha para ele afastado, desconfiado.
GIGANTE
Penalidade máxima, cara! Por que você fez isso, cara?
SOLEK
Vochê ia fugi di eu!
GIGANTE
Qual é? Você não tem outros amigos? Não tem!
_________________________________________________________
CENA 24 - EST / DIA - TEIA
Nhã-nhã-nhã vai atacar Raio e Micróbio, ouve-se voz em off de Arielibã-Disfarce.
ARIELIBÃ-DISFARCE
Mas outra vez, dona Nhã-nhã-nhã?
A aranha-mulher fica acabrunhada, solta os dois meninos.
NHÃ-NHÃ-NHÃ
Nhã-nhã-nhã é boazinha! Nhã-nhã-nhã estava só pregando peça! Olhe como Nhã-nhã-nhã está soltando os filhotes de gente!
ARIELIBÃ-DISFARCE
Esplêndido!
Os dois meninos descem da teia.

NHÃ-NHÃ-NHÃ
Nhã-nhã-nhã não queria fazer isso! Nhã-nhã-nhã é boa mas... ah, vão plantar batatas, mandiocas e bananas!
A aranha-mulher entra em sua toca.
MICRÓBIO
Muito obrigado, seu Arielibã!
ARIELIBÃ-DISFARCE
Pelo dente da serpente! Quantas vezes eu terei que salvar a vida desses jovens?
RAIO
Mas ela uma hora parece boazinha, depois vira uma peste!
ARIELIBÃ-DISFARCE
É preciso ter cuidado. Nhã-nhã-nhã é boa, no entanto, trata-se de um bicho.
MICRÓBIO
Mas ela fala, parece gente...
Mas não é! Suas reações são imprevisíveis! As únicas leis que ela obedece são as da natureza.
RAIO
Isso quer dizer que não tem essa de bicho bonzinho e bicho mau, né?
ARIELIBÃ-DISFARCE
Isso quer dizer que para se alimentar e preservar sua integridade, um bicho é capaz de tudo. E para os bichos não existem os sentimentos de culpa, arrependimento, remorso. O único problema a ser resolvido é a sobrevivência.
_________________________________________________________

CENA 25 – EST / DIA - RIACHO
Hipácia continua vendo “coisas” na água na cuia.
Majestade e Rouxinol espiam, se olham, fazem de cara “Eu não vi nada, e você?”, uma para a outra.
MAJESTADE
Dá pra ver aí onde que o Gigante está?
HIPÁCIA
Junto do lagarto.
ROUXINOL
Ai, não! Tem um monte deles soltos por aí, é?
HIPÁCIA
Viviam muitos ilha. Famílias. Um bando, bando, bando...
_________________________________________________________
CENA 26 – EST / DIA – MATA FRUTAS - ANIMAÇÃO
Vê-se um bando de lagartos como Solek comendo frutas, andando.
_________________________________________________________
CENA 27 - EST / DIA – ÁRVORE DE SOLEK
Gigante ainda amarrado.
GIGANTE
E o que aconteceu com eles?
SOLEK
Forum tudu pra dentu da terra. Votarau a shê shementi.
GIGANTE
Morreram todos? Só sobrou você? Ih, é isso aí!
SOLEK
Sholek muitu shojinhu. (CHORANDO) Tisti, tisti!
GIGANTE
Tô sabendo. Chato heim? Mas você não vai me deixar preso aqui, né?
_________________________________________________________
CENA 28 – EST / DIA – MATA CURINGA
Os Coisos estão junto a sua fogueirinha, onde está uma “panela”.
COISINHO
Papaizinhos! O que vocês vão coisar nesse coiso?
COISO E COISA
Uma coisa coisada sopa!
COISINHO
Aquele coisa que eu e os papaizinhos coisamos naquele coisos daqueles coisos?
COISO E COISA
(SATISFEITOS) Hum hum!...
COISA
Vamos coisas as coisas na coisa, Coiso?
COISO
É coiso, Coisa!
Eles colocam pedaços de frutas e plantas, pedras, punhado de areia.
_________________________________________________________
CENA 29 - EST / DIA - TEIA
RAIO
Dessa vez eu achei que a gente ia virar comida de aranha!
MICRÓBIO
Eu também.
RAIO
Ei, a gente precisa entrevistar o seu Arielibã!
Micróbio se posiciona com a câmera, mas Raio olha em volta e percebe que Arielibã-Disfarce não está mais junto a eles.
RAIO
Ele estava aqui meio segundo atrás!
MICRÓBIO
Mas não está mais!
_________________________________________________________
CENA 30 - EST / DIA - FOGUEIRA
Majestade e Rouxinol voltam do riacho, Hipácia está entrando em seu tronco.
MAJESTADE
A gente precisa tentar achar o Gigante! Ele deve estar mesmo em perigo!
ROUXINOL
Mas a dona Hipácia não sabe onde mora o tal do lagarto ou não está a fim de contar.
Suzana, que está por perto, diz:
SUZANA
Eu não sei se eu devia, mas... a sua amiga aqui sabe!
_________________________________________________________

CENA 31 - EST / DIA – ÁRVORE DE SOLEK
Gigante está solto.
GIGANTE
(DANDO TCHAU) Beleza! Eu vou nessa que os meus amigos estão muito longe daqui.
Solek, faz gestos, dá pulinhos, chora, balança a cabeça.
GIGANTE
Tá legal, o que você quer?
Solek aponta. Vê-se a torre de Nefasto, com a chama de fogo. Solek faz mímica de fogo e fazem sinais para Gigante ir pegar fogo.
GIGANTE
Ir lá pegar fogo pra você? (PARA SOLEK, fazendo gestos) Depois eu trago, tá? Depois! Eu preciso me encontrar com meus amigos!
_________________________________________________________
CENA 32 - EST / DIA - FOGUEIRA
Raio e Micróbio chegam, vindos da teia.
RAIO
Vocês nem imaginam! A gente quase virou duas moscas mortas!
MAJESTADE
E a gente está de saída pra conhecer um lagartão!
MICRÓBIO
Parecido com uma dinossauro?
ROUXINOL
Tomara que não!
Gigante chega ao lado dela.
GIGANTE
Oi, aí.
ROUXINOL
Oi.
GIGANTE
Vocês vão em algum lugar?
ROUXINOL
Vamos procurar a toca de um lagartão para salvar o Gi... Ei! Onde você estava? Eu disse! Ai!
Ela o abraça.
RAIO
Grava, grava!
Micróbio começa a gravar.
Ponto de vista da câmera.
RAIO
Eu sou Ramiro Serrano, falando diretamente da ilha Rá-Tim-Bum. Este abraço termina um período de muita angústia e apreensão! Gilberto Soares, mais conhecido como Gigante, estava desaparecido, e agora acontece o que poderia ser chamado de “A volta dos que não foram”!
GIGANTE
Eu passei o maior nervoso mesmo, cara!
ROUXINOL
(CHORANDO) Ai, gente, sei lá! (ABRAÇANDO DE NOVO) Olha a gente de novo junto!
Raio participa do abraço. Micróbio entra no abraço também.
Cena normal, vê-se que quem está gravando agora é Majestade, que faz um sinal de positivo para Gigante.
MAJESTADE
(IRÔNICA, MAS CARINHOSA) Falou aí, doutor Soares!
GIGANTE
Valeu, professora Rocha!
MAJESTADE
(IRÔNICA) Beijo, beijo, beijo!
Risos.
_________________________________________________________
CENA 33 - EST / DIA - TORRE
Vê-se a máscara e a roupa do disfarce de Arielibã no chão.
Os vilões assistem no monitor os jovens na praia.
NEFASTO
Jovens velhacos! Este mistério vocês não irão solucionar!
_________________________________________________________
CENA 34 - LOCAÇÃO / DIA - PRAIA (ANGRA)
Os 5 jovens examinam o local onde estava a lancha.
GIGANTE
Cadê a lancha que tava aqui?
MAJESTADE
Boa pergunta! A gente achou que ela não estava mais aqui porque você tinha ido embora nela, ponto.
ROUXINOL
Mas você não foi, né, Gi?
RAIO
Então a lancha sumiu, como num passe de mágica.
MAJESTADE
E aí? O que a gente faz?
GIGANTE
A gente constrói outro barco.
MICRÓBIO
Pode ser um submarino?
ROUXINOL
(PARA MICRÓBIO) Dá um tempo!
MAJESTADE
E se acontecerem outros passes de mágica?
RAIO
A gente vê o que faz quando a gente tiver que ver o que fazer.
ROUXINOL
É isso mesmo.
GIGANTE
Grande.
MICRÓBIO
É só viver um dia de cada vez.
ROUXINOL
Que lindo! Quem disse isso?
MICRÓBIO
Eu mesmo.
Vaias e risos, o clima solene se desfaz.
_________________________________________________________

CENA 35 - EST / DIA - TORRE
Os vilões assistem no monitor os jovens na praia. Ele indica Majestade e Gigante.
NEFASTO
Vocês notaram? Esta fala com este respeitando um tipo sutil de autoridade. Mas pode-se sentir uma hostilidade entre eles. Sabem por que?
ZABUMBA
Porque...
POLCA
(DANDO CUTUCÃO EM ZABUMBA) Por que, Supremo?
NEFASTO
Ela experimentou o poder. E apreciou o gosto! Como aqueles aborígenes apreciaram a tal de sopa! Minhas cobaias mostram-se cada vez mais intensamente interessantes!
_________________________________________________________
CENA 35 - EST / NOITE – MATA CURINGA
Os Coisos pegam um pouco da sopa deles em suas cuias. Os três tomam. Pausa. Os três cospem.
OS TRÊS
Que coisa!
________________________________________________________

CENA 36 - EST. C / NOITE - FOGUEIRA
Vê-se Micróbio com a câmera em punho, gravando Raio.
Ponto de vista da câmera, Raio de telerepórter.
RAIO
Eu sou Ramiro Serrano, falando diretamente da ilha Rá-Tim-Bum. Chegou o momento de apresentar um morador desta ilha muito especial! Ele é...
A câmera se desloca para o lado, vê-se a Vrunja, que guincha, faz caretas para a câmera, que balança.
Micróbio e Raio pulando e susto, a Vrunja ri e se vai. Os meninos riem.
_________________________________________________________
CENA 37 - EST. D / NOITE - INTERIOR TORRE
Vê-se, em vários dos monitores, Gigante andando no mato com tocha acesa.
NEFASTO
Interessante. Muito interessante. E bastante. Irritante!
_________________________________________________________
CENA 38 - EST C/ NOITE - E4 ( MATA CURINGA)
Gigante andando no mato com tocha acesa.
_________________________________________________________
CENA 39 - EST. C / NOITE - ÁRVORE SOLEK
Gigante chega com uma tocha em chamas, entrega para Solek, que coloca no local “sagrado” da árvore dele, e cai prostrado aos pés de Gigante, fazendo reverências exageradíssimas de agradecimento.
GIGANTE
Olha aí, ó, não foi nada demais, falou?
_________________________________________________________
CENA 40 - EST. D / NOITE - INTERIOR TORRE
Nefasto assiste a esta cena em um dos monitores, contraindo-se de raiva.
NEFASTO
Com um milhão de diabos! Quem um pensa que o outro é? Eu poderia esmagar esse palerma e os outros invasores em poucos instantes.
POLCA E ZABUMBA
Faça-o, Ser Supremo, faça-o!
NEFASTO
Algo me impede. (PAUSA) A curiosidade! E o fato de que eles estão se mostrando cada vez mais interessantes para o meu projeto. Até segunda ordem, pelo menos, eles vão continuar emporcalhando minha ilha.
Polca e Zabumba fazem muxoxo e soltam zumbido de frustração.
NEFASTO
No entanto... eu não posso aceitar esta demonstração de poder sem que eles sintam a força da minha ira!
_________________________________________________________
CENA 41 - EST. C / NOITE - FOGUEIRA (com chuva)
Estão todos os outros em volta da fogueira, inclusive Solek. Os Coisos espiam, escondidos.
GIGANTE
E aí, Micróbio?
MICRÓBIO
Não, definitivamente ele não é dinossauro. É mais ou menos um lagarto.
ROUXINOL
(AINDA EM ÊXTASE) Posso inventar o nome dele?
RAIO
O Micróbio já inventou, Rouxinol. É Solstício Equinócio.
MAJESTADE
Que absurdo! Quem vocês pensam que são? O Adão e a Eva, no paraíso, batizando as plantas e os bichos?
ROUXINOL
(DESAPONTADA) É isso mesmo...
GIGANTE
(EM OFF) E aí, amigão, como é que você se chama?
SOLEK
Solstíchio Equinóchio.
Todos riem, inclusive Majestade e o próprio Solek.
ROUXINOL
Então eu vou criar o seu apelido! Sol Ek... Solek!
SOLEK
Solek! Eu Solek! Solek bom! Machííío!
Risos. Raio começa a cantar uma canção animada, logo entram todos no coro, dançam em volta da fogueira. Raios ao longe, trovões. Começa a cair um toró. Hipácia entra no tronco. Solek sai correndo. Os jovens tentam “salvar” a fogueira, mas ela se extingue.
_______________________________________________________
CENA 43 - VERA CRUZ / NOITE - CHROMA MAQUETE
ILHA
Chove na Ilha.
________________________________________________________
CENA 44 - EST. D / NOITE - INTERIOR TORRE (CHUVA)
Nefasto, Polca e Zabumba gargalham.
_________________________________________________________
CENA 45 - EST / NOITE – MATA CURINGA
Coisos com sua fogueira apagada.
COISOS
(CHORANDO) Que coisa...
_________________________________________________________
CENA 46 - EST. C / NOITE - FOGUEIRA (CHUVA)
Continua o toró. Os 5 jovens e Suzana estão amontoados embaixo de uma árvore ou arbusto de folhas grandes. Todos mudos, desconsolados.
Solek chega correndo com a tocha dele, apagada.
SOLEK
(CHORANDO) Pagô! Pagô fogu di Solek! Pagô!
Rouxinol e Suzana soluçam. Gigante coloca mão em ombro de Solek. Majestade abraça Micróbio. Raio, revoltado, pega pedras e joga para longe.
Hipácia surge na porta de sua cabeça e chama o pessoal. Eles vão indo, devagar, de cabeça baixa, Solek, Rouxinol e Suzana ainda fungam.
_________________________________________________________
CENA 47 - EST. C / NOITE - INTERIOR HIPÁCIA
(CHUVA)
Lá dentro, todos são poucos iluminados pelo luar.
Hipácia faz gesto e som pedindo silêncio. Todos se aquietam. Ela vai até um amontoado de pedras, tira duas ou três delas, e vê-se que ela fez um tipo de um forno, de onde ela tira uma pequena tocha acesa.
Todos sorriem, e se chegam devagar, ficando em volta da pequena chama.
___________________________________________________________
LETREIROS FINAIS
@FLAVIO DE SOUZA
JULHO / AGOSTO 2001

Nenhum comentário: